Foi inaugurada nessa quinta-feira (7), em Valparaíso de Goiás (GO), a 98ª Praça CEU (Centro de Artes e Esportes Unificados) do Brasil. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, participou da cerimônia de inauguração da unidade, cuja programação teve início durante a tarde e se estendeu até a noite, com a realização de oficinas diversas e apresentações de artistas locais.
O equipamento, que integra em um mesmo espaço programas e ações culturais, esportivas, de lazer, de educação e socioassistenciais, recebeu R$ 2,02 milhões como repasse do Governo Federal. Como contrapartida municipal, foram investidos outros R$ 161,7 mil.
“O CEU pode ser um instrumento muito importante para o desenvolvimento cultural. Quando você tem um espaço qualificado, você passa a ter uma possibilidade muito maior de desenvolvimento. Quando não tem lugar nenhum, saí por aí improvisando”, destacou Juca Ferreira.
Com 3 mil metros quadrados, a unidade possui dois edifícios multiuso, dispostos em uma praça de esporte e lazer, com sala multimídia, salas para a realização de oficinas e workshops, cineteatro/auditório, quadra poliesportiva coberta, pista de skate, parquinho para crianças, biblioteca e um Centro de Referência de Assistência Social (Cras).
Para Alex Ollie, produtor cultural da região e integrante do Grupo Gestor responsável pela coordenação do equipamento, o CEU dará oportunidade para o desenvolvimento da cultura local. “Nós praticamente não temos nenhum espaço significativo onde se possa exercer cultura popular de verdade. Esse espaço veio para nós como uma luva. Para nós, isso não significa só um espaço para executar cultura, mas sim, ter condições e mecanismos de podermos realizar uma série de atividades, como teatro, dança e cinema”, disse.
Localizado há pouco mais de 40 quilômetros de Brasília, a cidade de Valparaíso de Goiás é tida como uma das mais violentas do País. Dados da 5ª edição do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) em janeiro de 2015, mostraram que o estado de Goiás ficou na 7ª posição do ranking, que reunia dados de 26 estados brasileiros e do Distrito Federal.
O índice usado pela secretaria estima o risco de adolescentes a partir dos 12 anos serem assassinados antes de completarem seu 19º aniversário em municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Dentro desse cenário, a cidade de Valparaíso de Goiás foi classificada como uma das mais violentas do estado, junto a outras duas do entorno do Distrito Federal, Águas Lindas de Goiás e Luziânia.
“Valparaíso é uma cidade bastante complexa. Quando eu assumi, o que mais as pessoas me pediam era que eu melhorasse a segurança, que é [uma atribuição] do estado. Mas tinha duas coisas que podia fazer: melhorar a iluminação da cidade e investir em programas sociais e culturais para envolver a nossa juventude. Nós apostamos nisso e hoje temos esse equipamento sendo entregue”, disse a prefeita Lucimar Conceição do Nascimento.
Espaço de convivência
Para além de um equipamento para o fomento da cultura local, as Praças CEU são um espaço para a convivência e a interação da comunidade – em muitos dos locais onde são implementadas, configuram-se como os únicos espaços com esse caráter.
“Isso aqui é um céu para a gente. Já estamos desenvolvendo muitas coisas. O pessoal está apaixonado por esse local. Nós temos manifestações culturais todos os dias. As pessoas da comunidade já se apropriaram do espaço”, afirmou Jorge de Recife, diretor da Secretaria Municipal de Cultura, Desporto, Lazer e Juventude e integrante do Comitê Gestor do CEU de Valparaíso de Goiás.
Oficinas de teatro, de dança e de musicalização, torneios esportivos e saraus estão entre as atividades que têm sido desenvolvidas no espaço, antes mesmo de sua entrega oficial à comunidade. A quadra, o parquinho e a pista de skate também estão entre os espaços que têm sido usados à exaustão pela população.
“Essa foi umas das melhores coisas que aconteceu na cidade. Muitas vezes, eu ficava em casa, perdendo tempo na internet. Hoje, eu venho para cá. Este é um local de lazer, onde podemos conviver com outros jovens e fazer novas amizades”, disse a estudante Geovana Caroline da Silva, de 17 anos.
O grafiteiro Ramon Patrício de Andrade foi um dos envolvidos na customização do espaço. Junto com outros artistas, ele foi convidado pela prefeitura para decorar as paredes dos dois edifícios que compõem a Praça CEU. Durante a inauguração, ele destacou a importância de um espaço como esse para a população local.
“Estamos dando a oportunidade para que a juventude use esse espaço, seja para fazer teatro, andar de skate ou assistir filmes. Se envolvermos esses jovens em atividades culturais, podemos evitar que estejam em outros lugares, talvez se envolvendo com coisas ruins, como drogas, etc e tal”, comentou.
Patrícia Pacheco é moradora de Valparaíso e mãe de dois garotos, de 2 e 4 anos de idade. Com eles, ela acompanhava as atividades que marcaram a inauguração oficial da Praça CEU. “Esse espaço é fantástico, com uma estrutura maravilhosa! Estou ansiosa para ver a programação e ver como o meu filho poderá aproveitar. O melhor disso tudo é saber que agora teremos um local seguro para que eles possam estar e fazer cultura. Pelo envolvimento da comunidade, o CEU tem tudo para dar certo em Valparaíso”, disse.
Gestão compartilhada
A gestão dos CEUs é compartilhada entre as prefeituras e a comunidade, com a formação de um Grupo Gestor, que fica encarregado de criar um Plano de Gestão, e também conceber o uso e programação dos equipamentos.
“Este é um espaço da comunidade, de desenvolvimento social e, justamente por isso, é imprescindível que ela se aproprie desse espaço. É um espaço onde a população pode crescer e onde também aprende a cuidar da gestão”, destacou o diretor de Programas Especiais de Infraestrutura Cultural (Dinc) do Ministério da Cultura (MinC), Germano Ladeira.
O Grupo Gestor é tripartite, sendo 1/3 dele composto pela sociedade civil organizada, 1/3 por moradores da comunidade e 1/3 indicados pelo poder público local. Os demais detalhes não são impostos pelo Minc, mas apenas induzidos, conforme estatuto e regimento modelos.
O Grupo Gestor do CEU do Valparaíso de Goiás possui 18 membros. Entre as entidades que representam a sociedade civil organizada, então a Associação dos Moradores e Comerciantes da Etapa C (Asmec) e o Instituto Anjos da Rua.
Para o ministro Juca Ferreira, este constitui justamente o segredo para o sucesso desses equipamentos. “Os CEUs que dão certo são os que a comunidade ocupou – e ocupou no melhor sentido da palavra. Não em conflito com os gestores públicos, mas como uma delegação de um equipamento que, para realizar plenamente a função dele, os artistas, os gestores, os grupos culturais e representações têm que estar presentes planejando, resolvendo conflitos, criando possibilidades de agregação para que a comunidade se sinta representada”, afirmou.
Para potencializar a participação social, o MinC vem realizando amplo mapeamento sociocultural dos Territórios de Vivência dos CEUs como estratégia de mobilização social das comunidades locais. Esse material auxilia na ativação dos territórios, com visitas do MinC aos municípios para reuniões de validação dos mapeamentos juntamente aos gestores e comunidade.
O programa
Os Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs) são equipamentos que integram, em um único espaço, programas e ações culturais, esportivas, educacionais, socioassistenciais e de lazer. Inseridos em territórios de alta vulnerabilidade social das cidades brasileiras, estes equipamentos multifuncionais têm como intuito a adoção de políticas de prevenção à violência e a promoção da cidadania.
A iniciativa que as concebeu foi lançada pelo Governo Federal em 2010, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Um comitê gestor do programa ficou responsável pela seleção dos municípios que deveriam receber as Praças CEU. Por meio da parceria entre a União e municípios, 98 unidades já foram concluídas e inauguradas nas cinco regiões do País. Outras 243 seguem em construção.
Participaram da concepção do programa os ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão; do Trabalho e da Previdência Social; da Justiça; do Esporte; do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; e o do Cultura. Neste desenho, coube ao MinC a gestão e coordenação da implementação desses espaços pelo Brasil. A gestão das obras é realizada pelas prefeituras. O ministério, por sua vez, faz o monitoramento dessa execução, intermediando a relação entre o Planejamento e a gestão municipal.
Projetos arquitetônicos
Os projetos arquitetônicos de referência dos CEUs foram desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar e interministerial, que concebeu três modelos do equipamento, previstos para terrenos com dimensões mínimas de 700 m², 3.000 m² e 7.000 m². Cada um dos modelos prevê um investimento específico por parte da União, sendo R$ 2,71 milhões, R$ 2,02 milhões e R$ 3,5 milhões, respectivamente.
No modelo de 700 m², por exemplo, prevê-se a construção de um edifício multiuso com cinco pavimentos, além de uma praça coberta, pista de skate, salas de aula de oficina, laboratório multimídia, biblioteca, terraço e um auditório com capacidade para 48 pessoas, além de um espaço para a implementação de um Centro de Referência de Assistência Social (Cras).
Já no modelo voltado para terrenos com 7 mil m², prevê-se uma edificação multiuso de um pavimento único, com todas os espaços previstos no modelo de menor área, somados a equipamentos de ginástica, playground, quadra poliesportiva coberta, quadra de areia, jogos de mesa e pista de caminhada. O seu auditório tem capacidade para 125 pessoas.
Os projetos de arquitetura e engenharia das Praças disponibilizados pelo programa são de referência e podem ser adotados ou não pelos municípios e o Distrito Federal, cujo único compromisso deverá ser manter o programa básico proposto para cada um dos três modelos.
Texto: Cristiane Nascimento – Assessoria de Imprensa – Ministério da Cultura
Fotos: Fernanda Queiroz










